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Como nasceu a Umbanda

 

      Em 1908, o jovem Zélio Ferdinando de Morais estava com 17 anos e havia concluído o equivalente ao 2º grau. Se preparava para ingressar na Escola Naval quando alguns fatos estranhos começaram a acontecer. Algumas vezes ele assumia a postura de um velho, falando coisas aparentemente desconexas, como se fosse outra pessoa e houvesse vivido em outra época, e em outras vezes se parecia com uma pessoa que conhecia os segredos das plantas e dos animais. Estes fatos logo chamaram a atenção da família, principalmente pelo ingresso na Marinha. Os “ataques” se repetiam com mais intensidade, e recorreu-se ao médico Epaminondas de Morais, também da família e diretor do hospício de Vargem Grande.

    Após examinar e observar Zélio por vários dias, encaminhou-o à família dizendo que a loucura não se enquadrava em nada que ele conhecia, ponderando ainda o encaminhamento a um padre, pois o garoto parecia estar endemoniado. Como na maioria das famílias ricas da época, havia um padre católico na família. Através deste sacerdote foi realizado um exorcismo para livrá-lo daqueles “ataques”. Mas nem este nem outros dois exorcismos conseguiram dar à família Morais o tão desejado sossego. A partir daí a família passou a procurar toda e qualquer informação que trouxesse esperança de melhora.

    Um dia alguém sugeriu que isso poderia ser mediunidade, e que seria melhor encaminhá-lo para a recém fundada Federação Kardecista de Niterói, presidida pelo Sr. José de Souza, chefe de um departamento da Marinha. Zélio foi conduzido no dia 14 de novembro de 1908 ao Sr. José de Souza, médium vidente que interpelou o espírito manifestado no jovem, sendo este o aproximado diálogo:

José: Quem é você que ocupa o corpo deste jovem ?

Espírito: Sou apenas um caboclo brasileiro, e esta faltando algo nesta mesa, o mesmo se levantou e apanhou uma rosa que se encontrava próxima e a colocou ao centro da mesa.

J: Você se identifica como caboclo, mas o vejo em vestes clericais (de padre)

E: O que vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida e acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição por prever o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas em minha última encarnação Deus me deu o privilégio de nascer como caboclo brasileiro.

J: Qual seu nome ?

E: Se é preciso que tenha um nome, digam que sou Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos
    No desenrolar desta entrevista, José de Souza teria perguntado se já não haviam religiões suficientes, citando o espiritismo já praticado. A resposta: “Deus, em sua infinita bondade estabeleceu na morte o grande nivelador universal. Mas vocês, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, querem levar isso além da barreira da morte (na época só se manifestavam em sessões espíritas do Kardecismo aqueles que eram letrados em vida, enquanto entre os negros, somente a louvação ao orixá, sendo qualquer outra manifestação de incorporação tido esta entidade ou orixá como EGUN para as religiões africanas). Porque não podem nos visitar os humildes trabalhadores do espaço, mesmo não sendo pessoas importantes na Terra ? Porque não aos caboclos e aos pretos velhos ? Acaso eles não foram filhos do mesmo Deus ?”
    A seguir fez várias revelações, confirmadas (incluindo a Segunda Guerra Mundial e a Bomba de Hiroshima). Seguiu dizendo: “Na casa onde mora meu aparelho haverá uma mesa posta, e toda entidade que queira ou precise manifestar-se, independente do que foi em vida, será ouvida, e aprenderemos com os que souberem mais, e ensinaremos àqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas pois esta é a Vontade do Pai!.
    Desta forma, em São Gonçalo das Neves perto de Niterói, na sala de jantar da família Morais, um grupo de curiosos kardecistas compareceram para ver como seriam estas incorporações, para eles indesejáveis e injustificáveis. A primeira entidade a vir em terra foi Pai Antônio, preto velho que havia sido escravo. Esta entidade parecia tão pouco à vontade que despertou um profundo sentimento de compaixão dos presentes. Perguntado porque não se sentava à mesa, respondeu: “Nego não senta não, meu sinhô, fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco i nego deve arrespeitá”. Quando os presentes muito insistiram, ele disse: “Num carece preocupá não, nego fica no toco que é lugar de nego”. Ante a humildade de tão iluminada entidade, perguntaram se ele sentia falta de algo que havia deixado na Terra, e ele respondeu: “Minha cachimba, nego quê o pito que deixou no toco... manda moleque buscá”, e no trabalho seguinte vários cachimbos foram levados à sessão.
    E assim, no dia 15 de novembro de 1908, na tenda Nossa Senhora da Piedade em Niterói Rio de Janeiro, por um preto velho escravo foi fundada nossa religião, fundamentada nas bases do Amor, Caridade e Humildade.

Retirado do Livro “Umbanda, a Magia da Paz”

 

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